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[Conto] Fedallah – Curse of Strahd

3 de maio de 2019

Olá, RPGista! Hoje o post é sobre o meu personagem numa campanha que jogamos uns tempos atrás. Foi a primeira campanha que joguei da 5e: Curse of Stradh. Vou estar falando um pouco sobre a história do personagem e as ideias que fizeram surgir esse personagem que gostei demais.

Com vista pra uma pequena vila havia um mago, um estudioso entusiasmado e fascinado por magias de invocação. Ao longo dos anos o povo da vila cresceu com temor da casa do mago pelos sons e clarões que surgiam e subitamente cessavam. Porém, apesar dos olhares que recebia quando visitava a vila, ele continuou suas pesquisas.

Numa noite tempestuosa um grande ritual estava preparado e o Mago conseguiu invocar um demônio, ou… uma demônia.

Não se sabe como aconteceu, mas a demônia e o Mago se envolveram. O Mago continuava a realizar rituais para invocá-la e ela sempre retornava para o que se tornara seu amado, até o dia em que, ao invocá-la, uma bebê se encontrava no centro do ritual.

Os choros do bebê incitaram rumores de que uma besta demoníaca habitava a casa e o medo cresceu nos corações dos moradores, até que meses após a chegada do bebê, alguns moradores foram mortos de forma brutal. Sem se questionar, uma multidão furiosa marchou na direção da casa do Mago. Furiosa e com sede de vingança, a multidão não deu ouvidos ao Mago que jurava por sua inocência e atearam fogo em sua casa. Enquanto o Mago tentava cuidar das chamas, os aldeões o atacaram e o mataram enquanto os gritos de desespero do bebê que jazia dentro da casa, ecoavam na noite escura. A multidão assistia ansiosa pelo silêncio do bebê, porém, abrindo caminho pela multidão, um homem avançou determinado para dentro da casa em chamas.

A casa se desfazia com as chamas e a fumaça castigava os olhos, mas o homem continuou sua busca, encontrando o bebê em seu berço. As chamas envolviam seu quarto e o homem teve tempo apenas para colocar a criança nos braços antes que o teto desabasse. Do lado de fora, a multidão questiona a atitude do desconhecido e aguardava curiosa. De uma nuvem de fumaça e chamas, o homem emergiu da casa com a criança em seus braços. Enquanto retomava o fôlego, a multidão se aproximou cautelosa com armas prontas, mas o homem se ergueu e desembainhou a espada em desafio.

– Só queremos o monstro! – gritava a multidão enraivecida. – Mate o monstro! O filho do Mago, a besta! Mate-a!

O homem retirou os panos que cobriam grande parte do corpo da criança e confirmou que o avermelhado da pele não era das chamas, ele mal havia se queimado. Um par de pequenos chifres crescia em sua cabeça e uma cauda balançava próxima dos pés.

– Vocês acham que essa criança é o monstro que atacou a sua vila? – perguntou o homem com a voz carregada de raiva. – Eu matei o monstro! Mas quando cheguei na vila para dar a notícia, não havia ninguém… Meu nome é Lear Macduff, um paladino errante. Essa criança e seu pai não tinham culpa e vocês os puniram… Vocês darão um enterro digno ao pai dele.

– E a criança? – perguntaram alguns.

– Eu a levarei comigo, para longe de vocês…

*****

Lear levou o bebê até sua igreja mas pela aparência demoníaca, decidiram não acolhê-lo. O paladino não gostou da decisão e retornou a estrada. Nos anos seguintes, Lear criou o bebê como se fosse seu próprio filho, ensinando-o do manejo da espada até as palavras divinas de seu deus. Karev, como fora batizado, era hábil e inteligente, e quando se tornou um jovem, Lear decidiu lhe contar sobre como o havia encontrado. Karev sempre sentiu que as pessoas ficavam inquietas ao seu redor mas preferia não pensar nisso e continuava focado em ajudar os outros juntos com Lear em suas andanças.

Mas ainda jovem, Lear, assim como quando salvou Karev na infância, não conseguiu salvar um casal de moleiros de um incêndio. Karev tentou ajudar e avançou contra as chamas, mas tudo o que conseguiu foi retirar os corpos. Enterrando Lear como sua crença demandava, Karev lamentou muito a morte de seu salvador e decidiu seguir os caminhos de seu pai adotivo. Mas infelizmente a vida de Karev se tornou ainda mais difícil. Sua aparência gerava cada vez mais desconforto nas pessoas e o jovem era geralmente contratado para caçar monstros perigosos onde ele suspeitava que a real intenção era de que ambos, ele e monstro, morressem se combatendo.

Mostrando muita proeza em combates, Karev decidiu usar sua aparência em seu benefício e se vendia como o mercenário, Fedallah, o demônio. No fundo, ele sempre manteve uma pouco da fé que aprendera com Lear. O respeito aos deuses continuava como a chama de uma pequena vela que nunca se apagava. Com o passar dos anos, alguns trabalhos levaram Fedallah a conhecer muitos aventureiros e inclusive se tornou membro de um pequeno grupo da região. Esse grupo recebeu um convite inesperado numa noite fatídica… um convite que mudaria cada uma daquelas vidas, mas principalmente a de Fedallah. Um convite de STRAHD VON ZAROVICH…

Alerta de possível SPOILER [após as influências conto um pouco do que aconteceu com Fedallah em Curse of Strahd]

Influências

Bom, na história não detalhei, mas ao menos o alter ego Fedallah falava na maioria das vezes rimando, como o o demônio Entrigan da DC quando ele é liberado da forma humana do Jason Blood. “Transforma-te, homem, transforma-te! Abandone as impurezas da carne, Pois no peito de fogo o coração arde! Abandone a forma humana, vilã! Erga-se o demônio Etrigan!” Assim como Entrigan, Fedallah enfatizava ser um demônio para afastar as pessoas desagradáveis.

Aqui um link das rimas do Entrigan: https://www.youtube.com/watch?v=VtA-s-mEaVM

O nome do alter ego de Karev, Fedallah veio de um personagem de Moby Dick que vários da tripulação acreditam ser o Diabo disfarçado de homem. Uns citam que o cinto que ele usa é sua cauda, outro que ele não possui sombra. O arpoador de Ahab é cheio de mistério, mas a atmosfera que sua presença e nome causavam em cada cena foram o tipo de ideia que quis que Karev passasse quando se apresentava como Fedallah.

Curse of Strahd

Na campanha, Fedallah como era conhecido pelo grupo até grande parte da aventura, era um Guerreiro que se tornou Eldritch Knight. Essa afinidade pela magia se deu pelo pai que era um mago e sua mãe, uma demônia, logo, isso justificava a habilidade quase natural para a magia.

A campanha teve momentos memoráveis fora de combate. Um dos que mais gosto foi um diálogo com Strahd num jantar em seu castelo onde o vampiro disse:

Strahd: O povo me chama de monstro. Você não tem medo de monstros?

Fedallah: O povo têm medo de monstros, mas eles rezam para afastar os demônios.

Durante a campanha, Fedallah foi se conectando mais com seu passado. O sofrimento do povo da Barovia pelas garras do sádico Strahd fez Fedallah retomar seu respeito aos deuses, em especial ao Senhor da Manhã, divindade da aventura. A conexão e devoção de Fedallah que nunca foram reconhecidas na infância, foram recompensadas por seus esforços benevolentes e ele se tornou um paladino do Senhor da Manhã. Contando sobre sua história para o grupo, Karev abandonou o alter ego de Fedallah e se tornou um opositor ferrenho de Strahd e inclusive tiveram bons embates durante a aventura.

Na conclusão da aventura, cada um do grupo tomou seu destino e Karev Valdsekin fundou uma ordem de combate ao Mal que aceitava e protegia quem precisasse, mas que principalmente vigiasse e se preparasse para o retorno de uma mal como Strahd. Em homenagem ao homem que o salvou e lhe deu um caminho, a ordem se chamou: Os Learsekin [lear-ze-kin]. Curse of Strahd foi mestrada pelo Murilo que agora é Eddie Von Smooth na Tomb of Annihilation que estou mestrando.

E aí, RPGista, gostou do post? Curtiu algo da história? Costuma usar muitas referências na construção de seus personagens? Divide aí com a gente nos comentários! Um abraço e boas aventuras! Muitos sucessos decisivos! 

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